Sou
má. Consigo ser má. Sei que não é bom para nenhum deles, mas continuo. Quero
ser má. Quero que sofras como me fazes sofrer. Quero que sofras. Quero que
pares de ser mentirosa. Quero que assumas o que fazes. Quero que tomes as rédeas
como deve ser, pelo menos, uma vez na vida. Não vou ter o que quero. Tudo se
irá repetir Tudo se repete. Sempre.
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Texto
Toda
a nossa vida somos induzidos a acreditar que tudo é bom quando temos alguém que
nos ama por perto. Seja mãe. Seja pai. Sejam namorados. E, em parte, é verdade.
Existe sempre aquela pessoa que te faz arriscar nas coisas e te faz feliz. Mas
também existe aquela que tens que aguentar e ter paciência, aquela que te faz
sentir insegura e até te deita abaixo, aquela que só te lembra do mal que tens.
Todos, acrescentando coisas boas ou más na tua vida, vão embora. Todos te vão
magoar, por muito que pareça que são para a vida. Todos excepto tu própria. Quando
estas em baixo, foges e ficas sozinha a pensar. És tu que te aguentas enquanto
choras à noite. Apenas tu. Apenas eu. Todos te vão partir o coração mas eu vou
ajudar a concertar. E é assim que continuaremos a nossa vida. Para sempre.
Hás-de aprender coração. Hás-de aprender a não te agarrares.
Texto
As
férias estavam a correr bem. Bem demais. Todos os problemas que tinha em mente
estavam a ser comentados. Eu tinha apoio novamente. Então a viagem está a
chegar, mas não me importo. Daqui a uns tempos há mais. Mas tudo descamba. A
mensagem chega. Os segredinhos do costume que não deixei que acontecessem. De
repente discutem. Agarro a minha irmã. Ela não merece. Tomo atenção ao meu
irmão. Ele não merece. “Expulso qualquer pessoa que queira entrar”, fica na
minha mente. A verdade vem ao de cima. Tudo continua a descambar. Melhor, meia
verdade. Nem todos têm a coragem. O descambo continua e quero segurá-los e
mantê-los longe. Eles não merecem. Não quero saber do que é discutido, apenas
aqueles dois seres me importam. Aqueles seres que tanto me chateiam como
precisam ser protegidos. Tudo termina. Sinto-me fraca. Choro. Eles não merecem.
Agarro no telemóvel e começo a trabalhar na responsabilidade que não me
compete. Chegam junto de mim. Sorriu. Saiem. Choro. Choro até que a força
restaure o meu coração. E acontece. Não hoje. Provavelmente não amanhã. Mas em
pouco tempo.
Texto
Estou
sentada. Estou deitada. Não sei. O frio brinca com todo o meu corpo roxo.
Preciso de mais. A minha mão quer chegar à outra. Quer usar as unhas. Deixo a
cabeça dominar, num momento de lucidez, e vejo a marca que ainda não
desapareceu. No momento instante a mão vai à boca e as unhas desaparecem num
ápice. Acalmo-me. Tudo volta. Quero usar aquela parede. Quero descarregar lá o
que sinto, quero que me acompanhe no meu sofrimento. Levo a mão até ao meu
braço e permito que faça um pouco de força. Pouca. Nada acontece, as unhas
fugiram de mim. Também elas. O meu peito dói. Tenho que me mover. Toda a minha
cabeça dói destruidoramente. Preciso terminar com toda a dor. Preciso aguentar.
Preciso acabar com a dor. Preciso aguentar. Preciso acabar com a dor. Preciso
aguentar. Tenho que acabar com a dor. Fecho os olhos. Deixo que o meu peso se
mantenha sobre os meus punhos fechados. Não farão nada. O meu corpo a bater
naquela parede juntamente com um grito surge na minha mente. As lágrimas caiem.
Outro grito sai da minha boca, sendo seguido por outra batida. As minhas mãos
querem realmente mexer-se. Não vou permitir. Ainda não. A música. A música
toca. Um piano fraco e irritante. Tenho mais vontade de fazer o que quero. Uma
melodia. Melodia forte que ecoa pelo quarto. Permito-a. Concentro-me. Energias
começam a libertar-se com as lágrimas e, aos poucos, o meu corpo adormece.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Desafio: Carta 13
13.Carta para alguém que
gostavas que te perdoasse
Gostava que me
perdoasses. Gostava de nunca te ter magoado e deixado essa marca que parece não
querer desaparecer, no teu corpo. Gostava de nunca te ter dito que não
conseguirias seguir em frente. Gostava que nunca te impedisse de seguir os teus
sonhos ou de tornares a amar. Gostava de te ter ajudado a manter a calma em vez
de te ter deixado mais nervosa, quando precisavas. Gostava de puder ser uma
melhor pessoa para ti. Gostava de puder ser a principal razão pela qual te
levantas todos os dias e pelo qual o sorriso surge no teu rosto. Gostava de
puder rir contigo quando cantas e desafinas, começando a rir logo de seguida.
Gostava de te puder incentivar a continuar a seguir o que te move
interiormente. Gostava de te ver rir mais vezes daquela forma estranha que
deixa os outros a olhar. Gostava de te ver cuidar de ti. Gostava de cuidar de
ti. Perdoa-me por não te acompanhar. Juro que estou a fazer o meu melhor.
Prometo que aprenderei a seguir a vida ao teu lado. Mas por agora apenas peço
que me perdoes.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Desafio de escrita, dia 27
Dia 27 – Um super-herói
Super-heróis, existem muitos. Fictícios. Mas isso para mim não é ser super-herói, quer dizer, o que fizeram eles por mim? Talvez tenham aumentado a minha imaginação na infância, mas os verdadeiros super-heróis, para mim, não são esses. Tenho vários, não consigo nomear, mas vou falar dos mais importantes. Melhor, das mais importantes. Quem ler este texto vai pensar que sou “graxista”, provavelmente, mas estou a ser sincera. Tenho duas heroínas na minha vida. As duas mulheres da minha vida.
Uma delas tem alguma idade, não muita na minha opinião. Tem mais vinte anos que eu, o que é isso na imensidão do espaço? Nada. Penso que a diferença não é assim tão grande. É alguém que, normalmente, chamam de minha irmã e, sinceramente, por vezes penso que é verdade. Discutimos, ralhamos, gritamos, passamo-nos, mas está cá quando preciso, mesmo que, nem sempre, das melhores maneiras. É a única pessoa que não se importa como eu sou, ao mesmo tempo que ralha comigo por ser como sou. É a única que me apoia incondicionalmente, mesmo sabendo que vou errar e que, no final, ainda diz “Eu bem te avisei”, mas é a única que, no meio disto tudo, está aqui para enxaguar cada lágrima que eu deitar. Para me dar o amor que, por vezes, julgo ser impossível neste mundo. A única pessoa que é capaz de fazer sacrifícios por mim. Uma das mulheres que mais amo neste mundo, senão mesmo a que mais amo, em todo este mundo. A única pessoa que me pode magoar, mas que vou sempre perdoar.
A segunda é a outra mulher da minha vida. Talvez possam julgar-me por dizer isto, já que é alguém com quem estou, mas nada disso é importante para o caso. Ela está sempre disponível para mim, pronta de braços abertos. Está sempre pronta a erguer qualquer espada para me proteger de alguém que me queira magoar. E, definitivamente, é a pessoa que mais me ajudou no momento que mais precisei. Acreditem ou não, se estou aqui hoje, é grande parte graças a ela. Tal como acontece com a mulher de cima, por vezes ela parece algo mais, não parece apenas a mulher que amo. Parece algo mais. A maneira como a conheci e me prendi, leva-me a crer que existe algo mais. A maneira como me protegeu desde o princípio. Em todos os aspectos possíveis. De qualquer modo, é a minha segunda heroína.
E aqui estão as duas. A minha mãe e uma amiga. Uma amiga muito especial.
Desafio de escrita, dia 7
Dia 7 – Um lugar que exista apenas na sua mente
Neste mundo, nada é impossível. Essa palavra, simplesmente, não existe no dicionário de cada ser deste reino. Agradeço por isso, pois faz com que escape da realidade em que me encontro na maioria do meu tempo. Num estalar de dedos consigo o que quero; tarefas simples, nada demais. Não quero ficar dependente da magia que me foi oferecida. Não tenho que ter medo, é o ponto mais importante. Finais felizes existem. Nenhum ‘olá’ acaba com um ‘adeus’, mas um ‘adeus’ acaba sempre com um ‘olá’. Talvez esteja a ser modesta demais, acaba, na maioria dos casos, com um ‘é bom ver-te novamente’. Não tenho que ter medo do amanhã, sei que nada do que tenho será perdido, talvez hajam contratempos pelo caminho, mas tudo o que me foi dado será meu no dia da minha morte. Talvez antes. Nenhum amor é esquecido ou apagado, permanece para sempre. E isso faz com que me mantenha estável emocionalmente, mantém-me calma. Nada comparado com o mundo em que me encontro fora da minha mente em que não existe estabilidade. Existe destino. Existe acaso. E existe o temporário. Isso assusta-me. Na minha mente tudo é mais fácil. Na minha mente estou bem.
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