Assinámos o
contrato, ambos, e entreolhámo-nos quando ambas as assinaturas se encontravam
lado a lado. A mulher à nossa frente observou o papel e entregou-nos uma boa
quantidade deles.
- Caso
tenham algum problema com a casa, apenas necessitam avisar-me. Contactarei os
melhores técnicos para que solucionem qualquer problema.
Ambos
assentimos.
A mulher de
longos cabelos ruivos dirigiu-se à porta, dando as últimas recomendações. Eu
apenas fingi ouvir, enquanto observava a mulher ao meu lado.
Estava tudo
apenas a começar. Não tinha que me preocupar mais com as horas de recolher do
colégio, não tinha que me preocupar se os pais dela a iam visitar, não tinha
que passar a noite com saudades do seu corpo ao lado do meu e não precisava
mandar-lhe mensagens logo de manhã enquanto imagino o seu corpo ao meu lado.
Ela está aqui. Ela está ao meu lado. E vai estar aqui todos os dias a partir de
agora.
A porta foi
fechada por ela que me sorriu envergonhada. Ela sempre disse que não queria
viver comigo, pelo menos não até fazermos um ano de namoro; ela dizia que era
por meras regras da sociedade e que achava errado começarmos a viver juntos
sem, sequer, estarmos um ano juntos. Mas sabia que esse não era o motivo, sabia
que ela apenas estava preocupada com o facto de se afeiçoar demasiado e eu a
puder magoar. Sabia que era isso e ela tinha tanta noção quanto eu, apenas não
o admitia.
Aproximei-me
dela, que se encontrava encostada, de costas, para a porta, e levei os meus
braços à sua cintura, puxando-a para mim. Consegui sentir que o ar lhe faltou
por leves segundos, o que me fez sorrir. Deixei que a minha boca baixasse,
encontrando o seu ouvido, e sussurrei lentamente.
-
Finalmente a sós.
Ela sorriu
e eu sabia a principal razão, mas nada falei, esperei para ouvir a sua
resposta. O seu olhar subiu, encontrando o meu, acompanhando os seus braços,
que se pousaram no meu pescoço, permitindo-me puxá-la para mim.
- E que
queres dizer com isso? Não te chegou a noite de ontem, Nicholas?
Revirei os
olhos e sorri, fazendo o seu rosto roborizar. A noite anterior foi passada no
meu carro, junto a uma praia, e o objectivo era apenas ficarmos juntos e dormirmos
na parte de trás do carro. O carro tem cinco lugares, mas os bancos fecham,
dando mais espaço ao porta-bagagens. Levámos tudo lá para trás e deitámo-nos,
com o rádio a trabalhar. Começámos aos beijos e ficámos assim por algum tempo.
Entretanto
parámos e ela deitou-se nos meus braços, enquanto falávamos e recordávamos tudo
o que já tínhamos passado. Foi nessa altura que o fogo acendeu dentro dos dois
e aconteceu. Era impossível não fazer nada. E, nessa noite, ela presenteou-me,
apenas, com o melhor orgasmo da minha vida. Ela sabia-o.
- Podemos
fazê-lo novamente. Se estiveres tão interessada em sentir o meu corpo no teu… -
Comecei.
Ela não me
deixou terminar; sabia que a ia provocar. Em vez disso beijou-me e,
instintivamente, empurrei-a contra a porta e beijei-a. Aquela era apenas mais
uma nova etapa da nossa vida juntos e não poderia estar a começar da melhor
maneira.






