11.Carta para alguém
falecida para a qual gostava de falar
Bem, avó. Aposto que
pensavas que irias ser a última pessoa a aparecer aqui, não pensavas? Afinal
nem te conheci... Mas é mesmo sobre ti que quero escrever. A mãe contou-me tudo
aquilo pelo qual passaste e tudo o que te aconteceu e, a verdade, é que te
admiro imenso. Às vezes gostava que estivesses aqui, sabes; sinto que tudo
seria diferente e sinto que eras capaz de fazer a diferença. Além disso ia
achar piada ter uma avó 100% portuguesa. E, apesar de tudo, eu sei que ias
adorar ter uma neta 25% angolana. Não negues que eu sei! Não me perguntes como
isto é possível, mas sinto saudades de tudo o que não passei contigo, se é que
isto é possível... E, eu sei que é egoísta, mas se tiveres a olhar por nós, não
deixes que eu me perca pelo caminho... Eu gosto imenso de ti, avó. Imenso.





