Um casal beija-se num acto completamente banal do quotidiano. Outro casal abraça-se por uma fração de dois segundos. Outro anda lado a lado, com os corpos distantes. E outro, separado por quilómetros de distância, desejando um pequeno contacto físico que seja. Desejando sentir os lábios embaterem um no outro. Desejando abraçar-se por tempo indeterminado. Desejando sentir os dedos entrelaçarem-se. Desejando sentir os corpos tocarem, pele com pele, enquanto o calor é transferido entre corpos. Desejando sentir algo físico, apenas.
Dói. Eu sei que dói. Dói não ter a pessoa que se ama mais próxima para puder visitar quando a exigência de contacto físico aperta. Dói estar em chamada e, num momento de desespero, enquanto a outra pessoa fala, sentimo-la mesmo ao nosso lado. Dói fechar os olhos e, inconscientemente, a nossa mente brincar connosco e fazer-nos aproximar do telemóvel, como se os nossos lábios fossem tocar. Não tocam. Era apenas uma ilusão. Uma maravilhosa e doentia ilusão que alimenta a saudade. E o desejo.
Apenas ilusões sucessivas que vão surgindo até ao momento em que um pequeno contacto físico vai acender os nossos corações. Novamente. E eu espero esse contacto físico. Espero tocar os teus dedos. Espero segurar a tua mão. Espero abraçar-te. Espero tocar os teus lábios. Espero sentir o teu corpo.






