Era uma óptima
noite para ver filmes: só o meu irmão estava acordado, eu não estava cansada de
todo e o sono não aparecia. Entrei no wareztuga e fui aos filmes agendados;
deparei-me com este.
Assim que
comecei a ver apenas pensei que iria acabar por adormecer durante o filme –
faço isso constantemente – mas queria vê-lo; se estava agendado era para ser visto.
Os primeiros
minutos foram um pouco secantes, mas depressa comecei a sentir-me demasiado
envolvida e comecei a chorar; todo o santo filme.
No filme a personagem
principal tem uma depressão e gira tudo em torno disso mesmo: das suas inseguranças,
da razão de ela se encontrar onde está, a frustração por não se conseguir
controlar, a sua tentativa de salvação, o tentar estar bem, o fingir característico,
… Acreditem, apesar de ser calmo, o filme vale a pena.
No entanto, ter-me
identificado com a personagem e ter chorado durante o filme inteiro, não é a
razão de estar aqui a escrever. A razão principal é uma frase que foi dita. “Não tens de fingir.”.
Sabem,
ultimamente sinto-me um autêntico vulcão. Nada está bem, tenho ficado nervosa
com pouco, tenho discutido por assuntos insignificante, tenho perdido a
paciência, tenho vontade de chorar o dia todo e, se não puder fazê-lo, tenho
vontade de dormir todo o santo dia. Mas, assim que expludo um pouco, lembro-me
que não quero magoar ninguém e ajo exactamente da forma que as pessoas esperam
que eu haja. E fecho-me. Se hajo de forma diferente, as pessoas olham-me de
lado ou, simplesmente, ignoram. Se tento explicar que algo não está bem comigo,
não me ouvem e pensam que é uma crise de adolescente. E é assim que hajo, como se
fosse uma crise de adolescente, porque é exactamente isso que eles esperam que seja.
Não sei se é desespero
que está a tomar conta de mim, se é o facto de não fazer exercício há dois dias
ou se é apenas algo temporário, mas não estou bem. Estou cansada de fingir. Estou
cansada de me sentar naquele sofá a assistir a um filme de comédia com a
família e ver todos a rir com vontade enquanto eu rio para não me perguntarem se
estou bem. Não quero mentir. Mas, de qualquer modo, eu estou a mentir; estou a
ir contra mim própria. Se fingir que estou bem, estou a mentir, se me
perguntarem e eu disser que estou, estou a mentir. Não tenho forma de não
mentir!
Isto tudo para
quê? Primeiro, precisava de escrever. Não tenho escrito nada, tenho estado
totalmente bloqueada a olhar para as malditas páginas brancas que quase parecem
rir da minha cara! E o segundo ponto, e o mais importante, apenas vos quero
dizer que não têm que fingir. Não comigo. Sei o quanto custa fingir que se está
bem, fingir que a alegria está lá toda, mas não quero que o façam comigo.
Sei que não é a
mesma coisa. Eu posso dizer isto, mas não estou aí, portanto eu dizer ou não é
totalmente indiferente, mas caso um dia precisem mesmo de desabafar e não quiserem
preocupar ninguém, podem falar comigo. Estou aqui para todos/as, está bem? Sem
fingimentos.