Hoje vou falar-vos de outra pessoa especial da minha vida. Talvez das pessoas mais especiais que tenho no momento. Para começar acho que foi a primeira pessoa, do meu círculo de amigos, com quem estive apenas uma vez, pessoalmente. É estranho escrever um texto sobre uma pessoa que apenas teve comigo uma vez…
Prosseguindo. Eu não me lembro ao certo o que me deu para lhe dar o meu número de telemóvel; eu nunca dou o meu número de telemóvel a pessoas da internet, ou melhor, é raro. Ao todo foram três a contar com ela. Mas voltando atrás, eu não sei o que me deu, mas foi das melhores decisões da minha vida. Não sei até que ponto isto vai trazer tristezas ou alegrias, mas já há muitos anos se diz que a música também acaba, mas não há razão nenhuma para não a aproveitar, certo? Certo!
As conversas foram acontecendo e tal, até que chegou ao dia em que nos iríamos encontrar. Eu estava nervosa, na realidade, estava apavorada. O meu aspecto iria afastá-la, de certeza, e o nervosismo apuderava-se do meu corpo de uma forma indiscritível. Mas havia algo maior, algo maior que o medo, a vontade que tinha de abraçá-la e ter a certeza que ela ficaria bem; queria ter a certeza que não se iria magoar novamente e se, para isso, tivesse que ir ter com ela e deixar-me acabar com as poucas energias que tinha estado a armazenar, que fosse.
Então lá fui eu, naquele dia, e pude abraçá-la. Foi algo… não sei ao certo. Por um lado, eu senti-me realmente feliz e aconchegada no abraço, por outro, tinha algo dentro de mim a repreender a minha felicidade, portanto limitei-me a tentar manter-me calma e distante; adivinhem, foi complicado. Ela era tipo as brasileiras que parecem que nos prendem totalmente, ela conseguia fazê-lo e eu caí nisso. Quando ela se foi embora, eu lembro-me perfeitamente que estava com um sorriso enorme na cara, enquanto olhava para todos os lados para me certificar que não era apanhada por ela.
Os meses foram passando, ao todo uns seis, e tudo se tinha tornado muito mais profundo do que com qualquer outra pessoa o que, efectivamente, me assustava – e assusta. Quando não falava com ela, sentia que havia algo em falta dentro de mim, mas quando falavamos, ela parecia trazer toda a alegria com ela e colorir a minha vida.
Assustador.
Mas mais assustador que isto foi a altura em que ela entrou, no exacto momento em que prometi não deixar ninguém entrar na minha vida de forma significativa. E ela fê-lo… ainda agora me estou a perguntar porquê. Várias pessos podiam ter entrado, mas porquê ela?
Inacreditavelmente ela atura tudo de mim. Tanto as partes boas como as más. Está comigo quando eu quero sorrir, rir, chorar ou simplesmente estar calada. Consegue fazer-me sentir especial e sentir que posso contar com ela para tudo. E, neste exacto momento, eu quero um abraço, tal como na primeira e única vez que nos vimos…
Nestes meses, ela fez com que cada facada que recebi não passasse de uma dor que podia deitar fora com ela; fez-me chorar ao telemóvel apenas com palavras, enquanto estava lá para me levantar logo depois; fez-me rir às gargalhadas, mesmo quando não queria; conseguiu acordar-me, sem que eu gritasse ou fosse má com ela - acreditem, é complicado; fez-me fazer outras coisas que, realmente, não vou comentar aqui; fez-me inclui-la em mim e, neste momento, eu sei que ela é parte de mim. Uma parte pela qual vou chorar quando for embora. E, o melhor e mais surpreendente, fez tudo isto vendo-me penas uma única vez e num espaço de quatro meses.
E sabem, ela consegue ser duas pessoas e, realmente, eu não me importo. Gosto das duas por igual porque ela não as consegue separar, portanto quando falo com ela, sei que estão as duas presentes. E, se ela tenta afastar uma delas de mim, sinto que apenas tenho metade dela, o que às vezes é um pouco doloroso. Eu amo-as às duas!
E, já que estou a juntar textos anteriores, aproveito para juntar a parte do presente. Ela não sabe o quão especial é. Ela não sabe que não é perfeita. E ela não sabe que o facto de não ser perfeita a torna única e atraí as pessoas. Ela tem defeitos e qualidades enormes. Para o que ligo eu? Tanto para os defeitos como para as qualidades, mas ela é tão importante que eu vivo, facilmente, com os defeitos dela. Não vou dizer que por vezes não me passe com ela. A sério, há vezes que se ela tivesse à minha frente iria ver-me, realmente, chateada. Mas depois passa e apenas tenho vontade de abraçá-la tão fortemente que chegaria a doer-lhe.
E prometo-lhe, totalmente, que vou estar aqui para ela eternamente. Tenho a certeza que um dia que nos afastemos ou que nos chatiemos de verdade, eu vou continuar a preocupar-me com ela como agora. Ela é a minha pequena, não consigo impedi-lo.
E basicamente é isto. Tenho mais coisas escritas, mas isto já está grande, portanto fico por aqui. Só mais uma coisa, um dia, quando tudo acabar, eu vou saber que valeu a pena cada segundo, babe. Amo-te.



