segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Texto - Alguém me compra um gelado?

Os meus olhos encaravam lentamente a cena que me foi presentiada. A criança corria, contente, saltando as pedras que se lhe colocavam no caminho. Poderia ser eu, há alguns anos atrás.
Continuei a observar.
Uma queda foi assistida por mim. Pensei correr em auxílio da criança, mas uma senhora foi mais rápida que eu; talvez a sua mãe. Eu fiquei parada apenas a observar o que aconteceria.
A criança chorava violentamente, enquanto escorria sangue pelo seu joelho; apenas uma ferida, mas algo maior para o pequeno menino. A mãe sorriu, levantando o menino e ajudando-o a caminhar.
O mesmo cambaleava, mas confiava na mãe para aquela tarefa.
Segui-os, queria saber onde iriam. Entraram num café.
Esperei.
Em poucos minutos a criança saiu do café, sorridente, e com um gelado na mão, como se o seu problema tivesse, simplesmente, acabado; como se nada de mal lhe fosse acontecer a partir daquele momento.
Parei para pensar na forma como eu tinha inveja de uma criança de pouco mais de três anos, que não tinha autonomia quase nenhuma, que não podia sair sozinho, que tinha que seguir todas as regras impostas, sem ter espírito crítico para decidir se seria o acertado a fazer; não tinha nada do que eu tinha. No entanto, mesmo assim, conseguia ser mais feliz que eu.
Olhei em minha volta, onde todos continuavam a andar, enquanto eu permanecia parada a relembrar a cena que acabara de acontecer.  Apenas um pensamento invadiu a minha mente.
Alguém me compra um gelado?

Actualização


Actualização da Elements, capítulo 55 e 56.
Espero que gostem :)

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

sábado, 24 de agosto de 2013

FanFic finalizada


Depois de alguns anos, finalmente, posso dizer que a FanFic está finalizada. Espero que gostem :)

terça-feira, 13 de agosto de 2013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Texto



She’ll be alright, just not tonight.
A mesma frase que se adequa a mim há três dias e três noites; a mesma frase que eu insisto ler todos os dias, mas que não me leva a lado nenhum. Just not tonight, é o que se repete na minha cabeça há três noites! Quando será a noite?
Hoje ainda foi pior que ontem. Foi ainda pior do que anteontem. E, pelo que vejo, só tende a piorar.
Aquilo a que uma certa pessoa insiste em chamar família, não é uma família; pelo menos não agora. Os irmãos continuam unidos, e espero que assim continue, mas não os pais. Parece que cada um puxa para o seu lado, parece que o lado feminino insiste que não quer ceder; insiste que é melhor fazer sofrer os filhos e ainda lhes ir contar os pormenores. E depois, para melhorar tudo, insiste que a culpa é de todos, mas nunca dela.
Ambos cometeram erros, ambos se deixaram levar por impulsos e não tomaram as decisões mais acertadas. Ambos continuam a puxar a batata quente para o seu lado e as três pessoas que se encontram no meio continuam a sofrer.
Este problema não é algo que um de nós possa resolver, é algo que tem que ser resolvido por eles. E eu não quero saber se um fez isto e o outro fez aquilo e… Não me interessa! Querem contar-me tudo? Contem! Mas submetem-se automaticamente à minha opinião que nem sempre é a mais simpática. Neste caso, e antes de afastarem os três filhos, divorciem-se. A equipa já acabou e há muito tempo.
E este foi o tema de hoje, tudo se repetiu. Mas porquê enquanto estávamos em casa? Foi de propósito para pudermos ouvir e sofrer? You made it so congrats. Mas vão levar também com as consequências e as minhas acabaram de chegar. Hoje foi o limite! Nunca me senti tão nervosa, nunca me senti a perder a noção de tudo o que me rodeava, nunca me senti com tanta falta de oxigénio, nunca senti uma corrente de energia tão grande percorrer o meu corpo, nunca senti que tinha força suficiente para partir tudo o que me rodeasse e nunca senti tanta vontade de bater num deles. Foi a gota de água!
Depois dos nervos eu tive que me acalmar e tentar acalmar a minha irmã; o meu irmão era o único calmo. Tudo terminou algum tempo depois e eu apenas saí de casa, novamente. Desta vez para um sítio tão sossegado como o anterior, mas totalmente diferente.
Quando lá cheguei, chorei, senti o meu coração totalmente partido e comecei a bloquear tudo, permitindo apenas que a raiva se apoderasse do meu corpo. Assim que a raiva me dominou eu deixei de chorar totalmente e apenas fiquei a pensar em todos os presentes em casa; a raiva só desaparecia quando os meus irmãos surgiam nos meus pensamentos.
Até aqui estava tudo muito bonito, até porque tinha decidido exactamente o que fazer, mas faltava-me mais qualquer coisa: a minha depressão. A verdade é que me tenho sentido mais em baixo a cada dia que passa, todas as noites tenho chorado e, durante o dia, preocupo-me em resolver a da minha mãe. E quando é que ela se preocupou com a minha? Não vale a pena entrar nessa conversa senão a raiva apenas aumenta. Portanto, eu tinha que decidir. Ou tratava de mim ou da minha mãe.
“Eu ando a fazer de tudo o que posso para tratar da minha depressão”, pensei, “e a mãe anda a fazer de tudo para mostrar a todos a sua. Não pensa, minimamente, em tratar-se”. E foi aí que eu percebi que o conselho que tinha dado há dias era direccionado a mim. Eu tenho o meu limite, dou o que posso e faço o que posso pelas pessoas, a partir do meu limite não posso dar mais. É a minha saúde que está em jogo e, a verdade, é que eu me sinto cada vez mais em baixo desde que as férias começaram.
Portanto eu não quero ouvir mais “o teu pai isto” ou “o teu pai aquilo” ou “a tua mãe isto” ou “a tua mãe aquilo”. Nenhuma deles é santo, cada um deles fez as suas porcarias que nunca serão perdoadas pelo outro, mas isso não é problema meu nem dos meus irmãos. Cada um de nós tem os seus problemas. As saudades do pai ou problemas que envolvam mais a família são para ser partilhados, problemas conjugais, é problema deles e realmente estou a lixar-me para essa história, apenas quero saber o resultado final. Neste momento quero tratar da minha depressão que é a que está a magoar o meu corpo no meio de tudo isto.

Quanto ao resto cada um que resolva os seus problemas; eu vou resolver o meu! Egoísta? Talvez... Mas estou cansada de lutar por pessoas que não sabem lutar por elas próprias e por relações pelas quais ninguém luta. Pela primeira vez na vida tenho que lutar por mim!

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Texto


 Novamente a praia era a imagem à minha frente. Queria chorar, mas ainda não era o momento ideal para fazê-lo, precisava de um local sossegado e próximo; principalmente próximo, o meu choro estava a ser guardado por horas e sabia que faltava pouco para transbordar.
Olhei para o lado esquerdo e depois para o direito; ambos tinham pessoas a mais para o meu gosto. Decidi olhar para o espaço em frente: totalmente vazio. Não pensei em mais nada, apenas me descalcei e andei pela areia fora, colocando-me num local escondido por entre as dunas. O mar estava azul e forte. As ondas podiam ser ouvidas enquanto batiam furiosas nas rochas; a minha vontade de chorar apenas aumentou e uma pequena lágrima caiu.
Limpei-a.
Despi a camisa devido ao calor e deixei que os meus braços ficassem livres para sentirem o sol.
O meu mp3 foi o passo seguinte. Precisava de uma música que me deixasse confortável o suficiente para deixar os meus sentimentos saírem e sentirem-se seguros para serem estudados calmamente. Comecei com música africana e, com toda a certeza, não funcionava. Veio a Miley. Tal como a anterior, nada! Jonas Brothers, Ed Sheran, Tó Semedo, Aerosmith,… imensos cantores foram passando, mas num em especial parou: Guns ‘n’ roses, don’t cry. A música começou a tocar e todos os momentos passados voltaram à minha mente, mas um em especial fez as minhas lágrimas iniciarem o percurso.
 
As malas estavam no carro. O meu tio estava pronto para ir e o meu pai estava à porta. Consegui ouvir alguém descer as escadas depressa, mas não sabia quem. Um “tratem da vossa mãe” foi lançado.
Não ia chorar, tinha de me manter forte!
Logo depois virou-se para mim. Eu não tinha força! Abriu os seus braços e eu rodeei a sua cintura num abraço sem qualquer força. Repito: eu não tinha força! No entanto o meu pai apertou-me com muita força, força suficiente para me fazer escorrer algumas lágrimas; o meu desespero aproximava-se. “Chau Sarita, trata da tua mãe e dos teus irmãos”, soltou. Aquela frase teve um impacto enorme em mim, maior do que era realmente necessário. Aquele era o sinal da despedida. Um beijo foi depositado na minha face e os braços desenvolveram-me, fazendo-me sentir a pessoa mais desprotegida do mundo. O desespero estava no extremo e eu chorava compulsivamente.
A minha irmã foi a próxima e, em seguida, o meu irmão. Todos tiveram o mesmo fim, o rosto lavado em lágrimas.
Logo depois vi o meu pai chorar. Ele nunca chorava! O meu coração doeu mais um pouco. Ele saiu a correr e entrou no carro que depressa acelerou. Era o fim!
 
 A partir daquele momento todas as recordações surgiram, todos os copos e decorações partidas foram recordadas, todas as vezes que os meus irmãos choraram por ver a mãe num estado de desespero total ou todas as vezes que a mãe gritou com eles e eu me coloquei no meio estavam lá, todos os palavrões que disse à minha mãe, todas as vezes que a mandei calar ou ir embora, todas as vezes que saí de casa com os meus irmãos, durante grande parte da tarde estavam lá. E as lágrimas continuavam. Mais uma lembrança voltou, tornando tudo mais intenso que nunca.
 
Tinha sido um dia complicado.
A minha mãe ligou-me a chorar e a falar mal do meu pai, os meus irmãos choraram ao telemóvel e as minhas orientadores de estágio ainda tinham decidido que era um óptimo dia para me humilhar. Eu estava péssima para ser sincera.
Precisava de alguém.
Não queria falar sobre o que tinha acontecido, apenas precisava de um abraço e umas palavras de apoio. Mas a quem ligar? A verdade é que todos os meus supostos amigos tinham fugido quando eu mais precisei! E os que tinham ficado não me deixavam suficientemente à vontade. Eu estava sozinha nesse campo!
Pensei na minha mãe, “telefonou-me a chorar, não vou ligar. Além disso não estou bem para a ouvir a desabafar e a falar mal do pai!”, pensei. Descartei essa hipótese. Irmãos, “Eles estavam a chorar ao telemóvel, não lhes vou ligar, além disso já têm de aguentar tudo dentro de casa.”. Também coloquei de lado. Pai? Pai! Sorri pela primeira vez naquele dia e marquei o número do meu pai; sabia que ia gastar o saldo todo com ele, mas eu precisava.
Liguei.
Ele atendeu em poucos segundos. Ouvir a sua voz a dizer “Tô Sarita” foi o melhor do meu dia. Mas dois minutos foi o máximo que falou comigo. Quando lhe ia dizer o “maravilho” dia que tinha tido, após ele me contar o seu, ele descartou-me. Com uma linda e maravilhosa desculpa. Pensei em pedir-lhe para esperar apenas 30 segundos, era o que eu precisava, mas despachou-se a despedir e a desligar o telemóvel.
O meu coração parou na hora, o meu corpo tremia e as lágrimas depressa começaram a cair. Foi quando descobri: eu estava sozinha!
 
As lágrimas escorreram mais e o meu punho fechou com uma força enorme nele, enquanto a outra mão insistia que as unhas deviam estar espetadas na minha pele; eu precisava acalmar-me, precisava parar o choro. Foi como chorar por tudo o que não tinha chorado, mas o meu coração continuava cheio e fechado a cadeado cuja senha nem por mim era conhecida.
O vento soprava mais forte e o som das ondas era mais intenso. Uma nuvem passou em frente ao sol e a areia da praia foi escurecendo a olhos vistos, com uma velocidade nunca vista por mim, até chegar ao local onde eu me encontrava. Era o que eu precisava para observar o mar sem ter que ter os olhos quase cerrados. Aproveitei. As ondas vinham com força e o mar fechava em diversos pontos bastante próximos; o azul dominava-o como nunca tinha visto; a espuma branca era quase inexistente.
Aos poucos o choro compulsivo desapareceu e a calma começou a reinar.
Limpei as lágrimas.
Naquele momento dei-me conta que a música que tocava era outra; November Rain dos mesmos artistas. Coloquei a mesma música do princípio e vi o sol voltar; iria ser complicado olhar para o mar novamente.
Mais uma meia hora se passou por entre recordações e lágrimas. Mas depois percebi que tinha que colocar umas ideias em dia. Primeiro pensei no meu irmão: ele tinha crescido de um mês para o outro, a nível sentimental. Com ele podia estar mais descansada. A minha irmã: andava confusa com tudo o que se passava e as duas personalidades que ela tinha – a de antes e a do momento – estavam em conflito cada vez que algo era dito pela mãe. Mas desde a conversa que tinha tido com ela, uma delas desapareceu e apenas uma permaneceu e com personalidade bastante sólida. Menos outro problema. Mãe: salta de personalidade em personalidade e nenhuma consolidada a não ser a inicial; Problema! E aquelas eram as minhas conclusões.
Depois veio o mais importante naquele momento: eu! Fechei os olhos e tentei acalmar o meu coração para perceber a minha evolução, para entender o que me impedia de evoluir mais, mas apenas consegui encarar o vazio. Parecia que eu não estava no coração mas numa câmara secreta deixada para enganar tolos, totalmente vazia. Eu não conseguiria ter acesso aos meus sentimentos, tudo por aprender a bloqueá-los.
 Esqueci o coração e utilizei a cabeça. “Se racionalizo os sentimentos a cabeça há-de ajudar”, pensei, mas enganei-me.

Naquele momento entendi que eu já não sabia o que pensar de mim; eu já não sabia sequer quem era; eu tinha mudado; quase não me reconhecia; era certo que eu tinha crescido em alguns aspectos. No meio de todas as conclusões ficou uma por tirar e a que mais me importava. “E eu? Tenho a minha estrutura bem consolidada ou é apenas uma farsa que baixará assim que alguém me baixe as defesas?” . Em pouco tempo vou descobrir…