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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

I need more....

Não sou perfeita, nunca serei sequer. Algumas pessoas irão coincidir com a minha personalidade, outras não o irão. Esta é uma das coisas que estou a passar agora e que, querendo ou não, pode não terminar bem ou terminar bem, quem sabe. Eu não sei, mas sei que não vou continuar nisto o resto da vida, assim como não vou mudar quem me está a magoar constantemente. Apenas... por vezes duas almas podem ser perfeitas mas não se encontrarem num tempo certo.
Todos precisam de alguém que sirva de apoio quando é necessário e, querendo ou não, as pessoas querem passar o resto da vida apoiadas. Ninguém deseja viver na incerteza. Eu não quero continuar na incerteza se vou, ou não, ser apoiada pela pessoa que amo. Não quero e recuso-me a sofrer nesse aspecto. "Estas com febre?", e vai para casa, "se precisares de algo liga que venho", primeiro, já preciso se estou doente, segundo, não não vens. "Podes vir comigo", "eu convidei-te para vir comigo", well... eu queria ser apoiada não puxada para algum sítio, mas sim, a culpa é minha porque não aceitei, novamente, ir contigo. Deitar-se comigo e quase me adormecer e depois "bem, vou beber café com a pessoa x". Like, fuck off. For real. "Sabes, o gang vai reunir-se. Sabes aquela pessoa que se atirava a mim e que nem sabe que estou com alguém. Olha, vai estar lá.", mas ao contrário, "Com a criatura? Está bem, fico com ciúmes, mas...", sim, realmente, tu é que tens razões para ter ciúmes, não sou eu. "O quê? Estas de rastos na cama? Espera, vou embora entregar o trabalho e se precisares de mim chama-me". Não, obviamente eu não preciso de ti, tenho um desejo oculto de ser deixada na cama, sozinha, enquanto choro. Ser deixada com ataques de ansiedade é, também, o prato do dia. Então ninguém saber de nada e eu ter que aguentar as saídas com pessoas que se interessaram ou interessam por ela... well... amo esses momentos..
Não aguento isto. Não consigo imaginar a minha vida com uma pessoa que não é capaz de estar comigo quando mais preciso. Não consigo imaginar-me com uma pessoa que me deixa insegura ou que me abandone sozinha numa cama a chorar. Não consigo imaginar-me com uma pessoa a quem tenho que pedir tudo. Estamos próximos do ano novo. Quero começar com alguém que esteja lá para mim, alguém com quem eu saiba que posso contar, ou, então, estar sozinha.
Não quero romantismo antes de apoio. Não quero cavalheirismo antes de apoio. Não quero casamentos nem filhos com pessoas que não me apoiam quando preciso. Quero algo mais na minha vida. Quero alguém que esteja lá para mim. Quero alguém que não saía com alguém que já se interessou por essa pessoa sem que o outro saiba que essa pessoa está comprometida comigo. Não quero viver na incerteza. Não quero viver uma vida sozinha em que apenas existem beijos, abraços e algum romantismo. Quero apoio. Quero, realmente, constituir algo com alguém. Não vou desistir disto. Vou consegui-lo. Se não for onde estou agora, vai ser em qualquer outro local. Mas vou consegui-lo. E, finalmente, vou ser feliz ao lado de alguém que não me abandona quando mais preciso. 
And it will be legen.... wait for it... dary... legendary!

P.s. Sem imagem porque não tenho muita paciência para ir procurar uma que se adeque. Sorry.

domingo, 20 de setembro de 2015

Get over the pain


Muitas vezes o destino prega-nos partidas. Partidas que não estamos à espera, mas que temos de aguentar. Talvez precisasse deste abanão para poder seguir em frente, sem olhar para trás novamente. E talvez tenha sido pelo melhor. Talvez possa parar de sentir necessidade de teres orgulho em mim.
Sim, ainda vou passar o resto da minha vida a querer ter um pai. Não um pai, o meu pai. Vou passar o resto da minha vida a chorar por ti e a sentires saudades do que tive um dia, mas que não tenho mais. Provavelmente vai doer o resto da minha vida. Mas, finalmente, sinto que posso seguir em frente.
A notícia foi um choque, nada que não esperássemos já, mas foi um choque na mesma. Doeu no princípio, depois percebi que, neste momento, já não és o meu pai. És apenas um homem que tem responsabilidades para com a minha família. O meu pai esteve comigo, até aos 19 anos da minha vida, mas neste momento já não existe. Neste momento o meu pai… quase que faleceu e sobrou apenas o homem com responsabilidades monetárias.
Well, mas não me vou alongar mais nisto. Apenas fico feliz pelo tempo em que me pude chamar de tua filha e que te pude chamar pai. Apenas fico contente por ter conhecido esse tipo de amor que só se sente uma vez na vida. Vou sentir saudades, demasiadas saudades para serem explicadas.
No entanto, se tudo correr como se supõe, alguém vai puder sentir o mesmo amor que senti um dia. Fico contente por essa pessoa, independentemente de ser rapaz ou rapariga. Fico contente por puderes dar o teu amor a alguém que merece. E fico contente por, um dia, ele ter sido meu. Espero que não cometas os mesmos erros. Diz-lhe o quão orgulhoso és dele. Diz-lhe que o amas. E nunca. Por todo o amor do mundo. Nunca. O abandones. Nunca lhe dês tanto amor para, no final, apenas o tirares e lhe partires o coração. Ele nunca será o mesmo. Apenas cuida dele. Melhor do que cuidaste de mim.
Quanto a mim, apenas vou dizer o quão orgulhosa estou de mim por tudo o que tenho passado e na pessoa que me tenho tornado. Apenas vou dizer o quanto me amo a mim própria. E nunca. Por todo o amor do mundo. Nunca. Me vou abandonar. E, talvez nesse dia, sinta um amor superior aquilo que um dia senti e que só se sente uma vez na vida.

Am I Brave?


Na minha opinião, talvez ingenuamente falando, ser corajoso é… algo como nos filmes. Arriscar mesmo com medo do que possa acontecer, tentando salvar alguém. Talvez esta seja uma ideia ingénua e que necessita, rapidamente, ser modificada. Ou apenas seja uma ideia louca que, com o tempo, vai sofrendo alterações. Em qualquer um dos casos, não me considero corajosa.
Eu sou do tipo de pessoa que tem problemas psicológicos que deixam vencer – a minha ansiedade social pode falar por si. Tenho medo de imensas coisas. Não consigo deixar certos problemas para trás. Sofro imensamente pelas mesmas coisas vezes sem conta. Não sou capaz de fazer o que acho ser correcto ou fazer-me bem. Novamente. Isto é ser corajosa?
No entanto, existe uma pessoa que tem uma opinião diferente e que me deixou intrigada. É a segunda pessoa até aos dias de hoje.
Basicamente, num momento insano, fui beber café com a mãe e disse que ela podia convidar o… pretendente? E… a mãe convidou. E ali estivemos, os três. O que achei dele, não sei bem dizer. Tenho diversas opiniões formuladas. Mas quanto ao café, sabia que aquilo devia deixar a mãe feliz, portanto porque não? Simplesmente o fiz.
No final esse mesmo pretendente disse que eu era corajosa. Não achei o acto um momento de coragem. Sou eu quem está enganada? Ou são os outros? o.o

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

I'll miss you boss


Tudo se vai resumir a isto. Quando encontro alguém com quem não tenho medo de falar acerca de nada, essa pessoa simplesmente se vai embora. Foi tão difícil de te encontrar e tão fácil de te perder. Tenho saudades tuas e ainda não foste, sequer, embora.
Sei que tudo vai mudar, mas não pela distância que nos podia separar. Esse não é o problema, sei que podemos falar na mesma. Sei que podemos ser loucas na mesma. Mas sei que não posso agarrar no carro ou no comboio e ir ter contigo quando me apetecer. Sei que não podemos, simplesmente, combinar estar juntas na queima e pronto, passarmos uma noite inteira ou mais juntas. Não podemos fazer muita coisa e isso torna tudo um pouco doloroso.
Eu sei. Eu sei. Tivemos um ano juntas. Mas esse ano não se comparou, sequer, ao ano seguinte. Ao ano em que conheci uma Ana diferente. Ao ano em que conheci uma Sara diferente. Fizeste-me descobrir coisas sobre mim que nunca pensei que existissem. Aturaste-me nos piores momentos, quando não podia falar com mais ninguém. E, num ano, tudo mudou. Num ano descobri mais acerca de mim do que na minha vida toda. E, por isto, nunca conseguirei agradecer o suficiente.
Já tenho saudades tuas. Imensas.
Obrigada por tudo o que fizeste por mim este ano. Obrigada de verdade.
Adoro-te imenso...

domingo, 23 de agosto de 2015

"I'm proud of you, daughter"


Por vezes custa ver todos a seguir em frente, como se nada se tivesse passado. Não censuro ninguém, muito pelo contrário, tenho orgulho de cada pessoa que está a conseguir em frente, mas, infelizmente, não sou essa pessoa.
Tudo gira em volta dele, embora nem sempre pareça. Tudo se tem focado nele, apenas por querer ouvir as palavras “Tenho orgulho em ti”, saírem da sua boca.
Mas nunca saem.
Trabalho dia e noite para conseguir alcançar algo. Algo que nunca poderá ser comprado com cada cêntimo que ganho.
As palavras nunca saem da tua boca.
Continuo a stressar, cada vez mais, por arranjar cada vez mais trabalho. Quero que o digas. Quero que digas que tens orgulho em mim. Que tens orgulho na mulher que me tornei. Que tens orgulho de saber que estou a alcançar todos os meus objectivos.
Mas as palavras continuam sem sair.
E, neste momento, apenas me sinto presa no meu choro, sabendo que nada poderei fazer para me livrar da prisão em que me encontro. Cada vez o vício vai ser maior, cada vez tentarei alcançar coisas mais grandiosas, enquanto aguardo o teu orgulho.
Se mo dissesses, talvez me libertasses da prisão em que me encontro. Talvez eu visse uma luz ao fundo do túnel e encontrasse a saída que preciso, mas as palavras não chegam.
Eu vou continuar a aguardar.
E as palavras ainda não vão chegar.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Texto: Quero que sofras


Sou má. Consigo ser má. Sei que não é bom para nenhum deles, mas continuo. Quero ser má. Quero que sofras como me fazes sofrer. Quero que sofras. Quero que pares de ser mentirosa. Quero que assumas o que fazes. Quero que tomes as rédeas como deve ser, pelo menos, uma vez na vida. Não vou ter o que quero. Tudo se irá repetir Tudo se repete. Sempre.

Texto


Toda a nossa vida somos induzidos a acreditar que tudo é bom quando temos alguém que nos ama por perto. Seja mãe. Seja pai. Sejam namorados. E, em parte, é verdade. Existe sempre aquela pessoa que te faz arriscar nas coisas e te faz feliz. Mas também existe aquela que tens que aguentar e ter paciência, aquela que te faz sentir insegura e até te deita abaixo, aquela que só te lembra do mal que tens. Todos, acrescentando coisas boas ou más na tua vida, vão embora. Todos te vão magoar, por muito que pareça que são para a vida. Todos excepto tu própria. Quando estas em baixo, foges e ficas sozinha a pensar. És tu que te aguentas enquanto choras à noite. Apenas tu. Apenas eu. Todos te vão partir o coração mas eu vou ajudar a concertar. E é assim que continuaremos a nossa vida. Para sempre. Hás-de aprender coração. Hás-de aprender a não te agarrares.

Texto


As férias estavam a correr bem. Bem demais. Todos os problemas que tinha em mente estavam a ser comentados. Eu tinha apoio novamente. Então a viagem está a chegar, mas não me importo. Daqui a uns tempos há mais. Mas tudo descamba. A mensagem chega. Os segredinhos do costume que não deixei que acontecessem. De repente discutem. Agarro a minha irmã. Ela não merece. Tomo atenção ao meu irmão. Ele não merece. “Expulso qualquer pessoa que queira entrar”, fica na minha mente. A verdade vem ao de cima. Tudo continua a descambar. Melhor, meia verdade. Nem todos têm a coragem. O descambo continua e quero segurá-los e mantê-los longe. Eles não merecem. Não quero saber do que é discutido, apenas aqueles dois seres me importam. Aqueles seres que tanto me chateiam como precisam ser protegidos. Tudo termina. Sinto-me fraca. Choro. Eles não merecem. Agarro no telemóvel e começo a trabalhar na responsabilidade que não me compete. Chegam junto de mim. Sorriu. Saiem. Choro. Choro até que a força restaure o meu coração. E acontece. Não hoje. Provavelmente não amanhã. Mas em pouco tempo.

Texto


Estou sentada. Estou deitada. Não sei. O frio brinca com todo o meu corpo roxo. Preciso de mais. A minha mão quer chegar à outra. Quer usar as unhas. Deixo a cabeça dominar, num momento de lucidez, e vejo a marca que ainda não desapareceu. No momento instante a mão vai à boca e as unhas desaparecem num ápice. Acalmo-me. Tudo volta. Quero usar aquela parede. Quero descarregar lá o que sinto, quero que me acompanhe no meu sofrimento. Levo a mão até ao meu braço e permito que faça um pouco de força. Pouca. Nada acontece, as unhas fugiram de mim. Também elas. O meu peito dói. Tenho que me mover. Toda a minha cabeça dói destruidoramente. Preciso terminar com toda a dor. Preciso aguentar. Preciso acabar com a dor. Preciso aguentar. Preciso acabar com a dor. Preciso aguentar. Tenho que acabar com a dor. Fecho os olhos. Deixo que o meu peso se mantenha sobre os meus punhos fechados. Não farão nada. O meu corpo a bater naquela parede juntamente com um grito surge na minha mente. As lágrimas caiem. Outro grito sai da minha boca, sendo seguido por outra batida. As minhas mãos querem realmente mexer-se. Não vou permitir. Ainda não. A música. A música toca. Um piano fraco e irritante. Tenho mais vontade de fazer o que quero. Uma melodia. Melodia forte que ecoa pelo quarto. Permito-a. Concentro-me. Energias começam a libertar-se com as lágrimas e, aos poucos, o meu corpo adormece.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Save me from myself


O comportamento defensivo é o mais comum. Uma arma de defesa. E tudo bem se for usada; a vida é uma guerra, mesmo, a sociedade é uma ilustração perfeita dos inimigos que se encontram do lado oposto do campo de batalha; estão prontos a disparar a qualquer momento e a ferir-nos. Temos que ter a nossa defesa. Tenho a minha. E tudo bem, não há mal nenhum. Mas existem duas pessoas que pensei gostarem suficientemente de mim para não me magoarem, mas tudo acabou. Mãe e pai. O meu comportamento defensivo até com eles é usado. Agarrei-me a outras duas pessoas. Irmãos. As coisas pioraram e o comportamento voltou. Restava eu. Eu podia confiar em mim. Ou talvez não pudesse, não passava de uma ilusão. Sou a pessoa que mais me magoa. Todas as vozes dentro da minha cabeça comandam o meu dia da pior forma e conduzem-me por caminhos que não quero trilhar. Impõem-me pensamentos não correctos. Eu não sou dona de mim, elas são. Comandam-me e parecem gostar de toda a brincadeira. Elas fazem-me perder a cada minuto que passa. Fazem-me questionar quem sou a toda a hora e, pior, não me dão uma resposta. Fazem com que perca parte da minha alma a cada segundo. Sinto-o. Parte de mim só quer andar, apenas passar o tempo, de preferência, totalmente desligada. Defensiva comigo própria, sempre alerta. Imaginam o quão esgotante pode ser? Definitivamente, dormir é a melhor opção. E se dormisse para sempre? É quando a dor é menor.

Talvez devesse ver tudo pelo lado positivo e começar uma nova fase da minha vida; demoraria o seu tempo, haveria diversas noites de choro mas era um plano. Mas não. Sou masoquista o suficiente para continuar com a dor. Sou masoquista o suficiente para gostar da dor. Sou masoquista o suficiente para deixar que a dor acompanhe cada segundo do meu dia. Sou masoquista o suficiente para apreciá-la, ver os efeitos que tem no meu corpo e sentir a sua falta a cada minuto que me encontre sem ela. E este é o meu trilho, o meu destino, uma dor constante que parece matar cada pedaço do meu ser aos poucos, lenta e torturosamente. E eu pareço gostar e apreciar. Pelo menos parte de mim. A outra parte quer felicidade, implora que as vozes se calem. Tenta sonhar com algo que a desperte do pesadelo em que se encontra. Quer acreditar que o amor calará as vozes internas. Quer bater nas paredes com toda a intensidade da dor, até que ela acabe. Até que as vozes se calem. Até que tome o comando do corpo. Mente. Alma. Quer ter uma conexão diferente com a arte; talvez através de sorrisos e não lágrimas. Ou, no mínimo, que sejam lágrimas de felicidade. Quer ser feliz. Quer viver. Quer sentir apenas a dor tolerável que qualquer ser humano aguenta. Sozinha. Sem companhias dentro da cabeça. Talvez queira se salvar antes que tudo acabe.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Excerto


- Não aceitou a proposta. Diz que o dobro não será o suficiente e que o seu livro vale muito mais do que o que lhe queremos dar. Já contactou uma nova editora e disse que lhe estava a dar mais.
- Ele esperava?
- Vinte e quatro horas.

Vi-o sentar e observar o manuscrito sobre a mesa.
A porta atrás de mim foi fechada. À minha frente encontrava-se uma mulher com a minha altura, vestida com o uniforme de secretária daquela empresa e o cabelo preso num rabo-de-cavalo perfeitamente feito. A mulher começou a caminhar em direcção ao homem que se encontrava sentado. As suas ancas mexiam-se num movimento totalmente coordenado. A sua bunda, como diziam grande parte dos países lusófonos, estava empinada de uma forma excitante. As suas costas estavam o mais direitas possível. O seu olhar manteve-se no do chefe de uma forma totalmente sensual. Engoli em seco.
Estavam próximos. A mulher usou o seu dedo e empurrou o chefe para trás, na cadeira, e sentou-se na mesa, abrindo as pernas para o mesmo. O chefe engoliu em seco, levando as suas mãos até às pernas da mulher. Subiu um pouco e apertou as suas virilhas com alguma força, fazendo a mulher gemer. Hum.
Logo depois a sua expressão mudou, dirigindo-se a mim. Eu já não estava sentada naquela mesa. Olhei para trás e a porta estava aberta.

- Ouviu o que lhe disse Carter? – Perguntou.

Nada respondi. A minha mente tinha acabado de me pregar uma partida. Uma partida em que eu estava totalmente sexy e a seduzir o meu patrão. Uma partida que me tinha levado a um nível de excitação muito superior ao inicial.

- Passe-me a chamada ao senhor Robert. – Repetiu. – Depressa.

Assenti e corri para fora do escritório, indo até à minha secretária. Telefonei para o senhor em questão, passando a chamada ao Jonas. Logo depois suspirei, sentindo todo o meu corpo em fogo, principalmente no meio das minhas pernas e na minha cabeça. Aquele dia seria, sem dúvida, o mais complicado da minha vida. O mínimo que poderia acontecer? Ir até ao quarto de banho e aliviar um pouco toda a tensão em que se encontrava o meu corpo e, o Jonas que me perdoe, mas será agora.

sábado, 6 de setembro de 2014

Texto


Assinámos o contrato, ambos, e entreolhámo-nos quando ambas as assinaturas se encontravam lado a lado. A mulher à nossa frente observou o papel e entregou-nos uma boa quantidade deles.

- Caso tenham algum problema com a casa, apenas necessitam avisar-me. Contactarei os melhores técnicos para que solucionem qualquer problema.

Ambos assentimos.
A mulher de longos cabelos ruivos dirigiu-se à porta, dando as últimas recomendações. Eu apenas fingi ouvir, enquanto observava a mulher ao meu lado.
Estava tudo apenas a começar. Não tinha que me preocupar mais com as horas de recolher do colégio, não tinha que me preocupar se os pais dela a iam visitar, não tinha que passar a noite com saudades do seu corpo ao lado do meu e não precisava mandar-lhe mensagens logo de manhã enquanto imagino o seu corpo ao meu lado. Ela está aqui. Ela está ao meu lado. E vai estar aqui todos os dias a partir de agora.
A porta foi fechada por ela que me sorriu envergonhada. Ela sempre disse que não queria viver comigo, pelo menos não até fazermos um ano de namoro; ela dizia que era por meras regras da sociedade e que achava errado começarmos a viver juntos sem, sequer, estarmos um ano juntos. Mas sabia que esse não era o motivo, sabia que ela apenas estava preocupada com o facto de se afeiçoar demasiado e eu a puder magoar. Sabia que era isso e ela tinha tanta noção quanto eu, apenas não o admitia.
Aproximei-me dela, que se encontrava encostada, de costas, para a porta, e levei os meus braços à sua cintura, puxando-a para mim. Consegui sentir que o ar lhe faltou por leves segundos, o que me fez sorrir. Deixei que a minha boca baixasse, encontrando o seu ouvido, e sussurrei lentamente.

- Finalmente a sós.

Ela sorriu e eu sabia a principal razão, mas nada falei, esperei para ouvir a sua resposta. O seu olhar subiu, encontrando o meu, acompanhando os seus braços, que se pousaram no meu pescoço, permitindo-me puxá-la para mim.

- E que queres dizer com isso? Não te chegou a noite de ontem, Nicholas?

Revirei os olhos e sorri, fazendo o seu rosto roborizar. A noite anterior foi passada no meu carro, junto a uma praia, e o objectivo era apenas ficarmos juntos e dormirmos na parte de trás do carro. O carro tem cinco lugares, mas os bancos fecham, dando mais espaço ao porta-bagagens. Levámos tudo lá para trás e deitámo-nos, com o rádio a trabalhar. Começámos aos beijos e ficámos assim por algum tempo.
Entretanto parámos e ela deitou-se nos meus braços, enquanto falávamos e recordávamos tudo o que já tínhamos passado. Foi nessa altura que o fogo acendeu dentro dos dois e aconteceu. Era impossível não fazer nada. E, nessa noite, ela presenteou-me, apenas, com o melhor orgasmo da minha vida. Ela sabia-o.

- Podemos fazê-lo novamente. Se estiveres tão interessada em sentir o meu corpo no teu… - Comecei.

Ela não me deixou terminar; sabia que a ia provocar. Em vez disso beijou-me e, instintivamente, empurrei-a contra a porta e beijei-a. Aquela era apenas mais uma nova etapa da nossa vida juntos e não poderia estar a começar da melhor maneira.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Texto

Antes de lerem, tenho de avisar que tem algum conteúdo que talvez possa ser considerado para maiores de 18. Boa leitura :)


Nicholas dirigiu-se ao exterior da casa, agradecendo, mentalmente, por ter tido um dia de sol, caso contrário, a toalha para o banho de Gabriella não tinha secado. Ele sabia que, em parte, era culpa sua, mas a sua mente pensava do seguinte modo: vivia sozinho, duas toalhas chegavam, perfeitamente, se ele fosse alternando. Usava a mesma dois dias seguidos e, após esses dois dias, utilizava uma nova que teria o mesmo futuro. Parecia-lhe perfeito; fora-lhe perfeito enquanto não tivera ninguém em casa, mas o destino surpreendeu-o. Gabriella estava em sua casa. A tomar banho na sua casa de banho. Era obra do destino, não havia outra justificação. Não havia outra forma de Gabriella estar em sua casa.
Gabriella. Aquela mulher que não quis, sequer, aceitar a sua declaração. Nicholas preparara um belo poema, que lhe demorara uma média de três dias a escrever, e ainda juntara umas palavras que praticou diversas vezes em frente ao espelho. Praticou as palavras. O tom de voz. A expressão facial. Queria que tudo fosse perfeito quando declarasse o seu amor à deusa que lhe roubara grande parte do seu coração; algo nunca conseguido por qualquer outra mulher. Parecia-lhe tudo perfeitamente organizado e, no mesmo dia, Nicholas combinou encontrar-se com Gabriella.
Todo o caminho Nicholas mantinha na sua mente a expressão que vira no espelho, tentando ter a certeza que essa seria a que Gabriella viria. Uma voz, no entanto, ordenou que se acalmasse e Nicholas tentou, tomando atenção ao caminho que realizava. Vários carros passavam por si a uma velocidade considerável, mas Nicholas olhou além dos mesmos, para o café do outro lado da estrada. O café em que se conheceram. O café em que, pela primeira vez, Nicholas olhara para uma mulher, além do seu corpo; fora o sorriso que captara a sua atenção, tinha a certeza.
Ao dar-se conta que os pensamentos tinham voltado à mulher, desistiu de se distrair.
Nicholas avançou pela casa, com a toalha seca na mão, e lembrou-se que Gabriella dissera que se encontraria no quarto por uns minutos, portanto não tinha que se preocupar, sequer, em bater à porta.
Os seus pensamentos voltaram para aquele dia. Nicholas chegou junto de Gabriella e começou a falar, sentindo o seu corpo tremer e as suas mãos suarem. Nada estava a sair como tinha planeado e isso ainda o deixava mais nervoso. No entanto esse não foi o ponto, na realidade o que estragou tudo foi o facto de, assim que começara a falar, Gabriella lhe dizer que não estava interessada em ouvir. A mulher que amava não estava interessada em ouvir a sua declaração.
E, por obra do destino, ali estava ela. A caminho para a festa, Gabriella caíra numa poça de lama e, obviamente, necessitara de um banho. O grande problema, estava a uma meia hora de sua casa e sabia que ele seria o mais próximo, e assim foi. Ali estava ela. Não sabia durante quanto tempo ficaria, mas Nicholas gostava da sua companhia; sentia alguma paz aquando da sua presença.
Nicholas entrou na casa de banho, não se preocupando em anunciar, e viu Gabriella de costas. A mesma não se tinha dado conta da sua presença e Nicholas não se conseguira anunciar ou, simplesmente, fechar a porta. Gabriella encontrava-se apenas com a camisa branca, de costas para si, e desabotoava cada botão da mesma. A água estava ligada e ia caindo, quente o suficiente para soltar todo o vapor pelo espaço, dando um novo ambiente ao mesmo.
Uma voz dentro de si dizia-lhe que devia sair; outra apenas queria aproveitar a imagem mais sensual que vira na vida. A camisa branca – e um pouco manchada pela queda – caíra no chão, deslizando pelo seu corpo em câmera lenta. Nicholas acompanhou o movimento com os olhos, até ao chão, e começou a subir aos poucos. Subiu pelas pernas, lentamente, e deu de caras com as suas cuecas que tapavam algo que, naquele momento, poderia estar encostado à sua excitação evidente. Enquanto as zonas se tocavam na cabeça de Nicholas, com Gabriella de costas para si, imaginava que as suas mãos subiam pela barriga da mesma, levando a que a sua respiração fosse alterando.
Nicholas estaria nu, apenas de boxers, e sentiria o corpo de Gabriella a aproximar-se mais do seu, enquanto as mãos iriam descendo, passando nas suas coxas. Apertaria as mesmas e ouviria um suspiro de Gabriella que, na sua cabeça, verdadeiramente aconteceu. As suas mãos subiriam pelo seu corpo e o seu peito seria tocado, por cima do soutien. Nicholas pensaria em tirá-lo e, nesse momento, o soutien de Gabriella, realmente, caiu. Nicholas engoliu em seco ao ver que, a sua deusa, encontrava-se praticamente nua em frente aos seus olhos. Nicholas queria tocá-la. Pensou em aproximar-se mas, antes de o conseguir, Gabriella virou-se.
Os seus olhos desceram, deixando que os seios da mulher fossem apreciados com a mesma atenção que apreciava todos os seus quadros; aquele corpo era arte e, definitivamente, Nicholas não se importaria de a estudar ao pormenor. No entanto os seus pensamentos foram desviados pela voz de Gabriella.
- Se calhar está na hora de saíres, Nicholas. – Tentara manter a calma.
Os seus braços preocuparam-se em tapar os seios que, anteriormente, Nicholas observava. O homem apenas deixou a toalha pendurada, ao seu lado, e saiu daquela divisão, pronunciando um pedido de desculpas baixo, mas, ainda assim, audível para Gabriella.
A porta foi fechada e Nicholas apenas se encostou à mesma, tentando afastar as imagens da sua cabeça. No entanto o corpo da mulher e a forma sensual como a mesma se despia, voltaram à sua mente. O mesmo suspirou, frustrado por a mulher não ser sua, e falou baixo o suficiente para apenas ser ouvido por si próprio.
- Preciso de uma bebida. Gelada!

sábado, 16 de agosto de 2014

Uma das minhas maiores bençãos...


Na minha cabeça estava, "Está na hora de escrever outro texto sobre ti", mas sempre que tentava desistia da ideia; na minha cabeça, seria demasiado complicado, mas surpreendi-me. As palavras fluem com uma naturalidade quase impressionante, tal como na primeira vez que escrevi, e pareço não ter que pensar muito enquanto os meus dedos passeiam pelos botões do teclado. Naturalmente, penso que não tenho tido muitas pessoas com quem fazer uma cena no meio do supermercado - o senhor não deve ter ficado muito contente por lhe ter dado com o saco enquanto te abraçava - sem ficar constrangida. Penso que não é qualquer pessoa que me abraça, após um longo tempo, e parece que nunca esteve longe de mim; parece que ainda ontem estivemos juntas, como se estivesses sempre comigo, apesar de tudo. Nunca um abraço pareceu tão certo. E, inacreditavelmente, eu senti-me eu. Não precisei pensar como agir, não precisei pensar se estava a fazer figuras ou se te poderia afastar, apenas actuei. Apenas fui eu. E abracei-te com força, não querendo que toda aquela felicidade momentânea acabasse. Afastaste-te um pouco, olhaste-me nos olhos, sorriste, e abraçaste-me novamente. Tive que rir, mas abracei-te. E percebi que nada acabou. Tudo se mantinha. Como se, mesmo afastadas, nunca nos tivessemos afastado. E sorri. Naturalmente, e sem pensar muito, fui ter com a tua mãe que, tal como tu, ficou imensamente contente por me ver. E senti-me bem, novamente, como se também a tua mãe me puxasse para quem realmente sou. Não me senti fria, não me senti desligada de tudo, senti-me eu. E, neste momento, entendo que as amizades que são para ficar, são para ficar. Nada as separa. A minha calma continua e vai continuar a surgir. Os teus braços continuaram a ser um ponto de paz. E, no futuro, tal como tínhamos combinado, provavelmente a minha filha ainda vai ter o teu nome e a tua vai ter o meu. Como se nunca nos tivessemos afastado. Como se nunca tivesse existido desvios no nosso caminho.
Talvez nem tudo venha a ser tão certo, mas uma coisa sei, a tua amizade foi das maiores bençãos que tive na vida e, eternamente, irei agradecer por ela. 

sábado, 26 de julho de 2014

I felt in love with your soul...

Antes de começar a namorar com a pessoa com quem estou agora, estivemos cara a cara duas vezes. No final da segunda eu já sabia que aquilo era extremamente certo. Não tive tempo suficiente para me apaixonar pela sua aparência - embora seja perfeita; talvez lhe escreva algo a dizer tudo o que amo -, mas apaixonei-me. Apaixonei-me pela forma como, apesar da distância, conseguia tocar o meu coração. Apaixonei-me pela sua personalidade, pela pessoa que é. Apaixonei-me por ser uma pessoa única. E, o facto de nunca estar consigo, faz-me perceber que o que sinto é amor. Faz-me perceber que estou realmente apaixonada. E sinto-me sortuda por ter alguém assim comigo.

I'm cold... inside


Estou cansada. Cansada de fazer de conta que tudo está bem. Eu tento convencer-me disso, tento convencer-me que o que sinto agora é apenas algo normal. Que as pessoas à minha volta estão piores do que eu e que tenho que me preocupar com elas, mas está na hora de ser sincera. Está na hora de unir corpo e alma. Estou cansada de estar a fazer algo e estar a ver tudo do lado de fora, como se aquela acção estivesse a ser concretizada pelo meu corpo, mas não por mim. Estou cansada de dizer a quem está magoado para sorrir quando, eu própria, não consigo sorrir verdadeiramente. Estou cansada de dizer que, de qualquer modo vamos ser magoados e o melhor é viver, convencer-me que estou a viver, e, na realidade, estar totalmente parada com medo de sofrer. Estou cansada de ouvir criticas exteriores, não construtivas, que me fazem perder o prazer que tenho por tudo o que, anteriormente, amava fazer. Estou cansada de viver uma vida da qual não sinto fazer parte. Estou cansada de ouvir todos a criticar-me, mesmo quando sei que tenho razão; fazem-me duvidar dos meus poucos princípios. Estou cansada. Estou perdida. Não tenho nada que me dê prazer. Não tenho nada em que acreditar. Não tenho nada que me faça evoluir. Não tenho nada que seja suficientemente forte para tornar a unir a minha alma com o meu corpo, se é que isto, sequer, faz sentido. Muitos vão dizer que tenho uma família – com ou sem pai presente –, tenho amigos e tenho o amor da minha vida comigo. Sim, eu sei. Agradeço por eles. Agradeço tudo o que me oferecem. Mas de que me serve ter tudo isto se não me tenho a mim? De que serve ter tudo isto se me sinto fora do meu corpo. De que serve ter tudo isto se, por vezes, apenas estou do lado de fora, a ver as cenas ocorrerem, enquanto o meu corpo mexe sozinho? De que serve tudo isto se falto eu na história?! Não sei ao certo o que se passa, gostava de ser psicóloga ou psiquiatra. Talvez ter um diagnóstico definido. Nesse caso sabia o que fazer, sabia o que mudar e como fazer tudo melhorar. Mas não tenho. Mais engraçado, no meio disto tudo, é estar a escrever exactamente o que sinto e não sentir nada cá dentro, não me cair uma única lágrima sequer. O que fazer agora, não sei. Talvez continuar à espera que algo surja.

Another pain...


Após algumas mágoas, pela mesma pessoa, qualquer ser humano inteligente abre os olhos e dá-se conta que, só por acaso, aquela pessoa não vale a pena e, definitivamente, sofrer é uma perda de tempo. É assim que as coisas acontecem. Mas não comigo. Sou burra. O meu lado sonhador e a minha ingenuidade insistem acreditar que tudo não passa de um sonho ou, pelo menos, na última das hipóteses, ele vai cair na realidade e voltar ao que era. Mas não vai, ele não vai voltar a ser o que era. Mas o meu coração ainda não se apercebeu disso, parece querer dar “segundas chances” mais de mil vezes; sofrer mais de mil vezes; deixar de acreditar no amor de todos os que o rodeiam, mas continuar a acreditar na única pessoa que realmente não merece. Ser sonhadora. Ingénua. Burra. As três palavras que me descrevem quando se trata dele. E, aparentemente, continuo a não aprender. Continuo a perdoar e a fazer de conta que nada se passou. Continuo a amá-lo.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Texto

Acordei. Cansada. Os gritos começaram. "Não vamos discutir outra vez o mesmo...", saiu da minha boca. Mas vamos. Novamente. Sento-me. Tudo pára. "Ainda bem", penso. Agarro no telemóvel para telefonar. Comento o facto de agora já estar calma por eu ir telefonar. As bocas começam. Seguro no telemóvel. "Não vais gastar o meu dinheiro", disse, "Eu tenho de telefonar", não tenho a adictivo. Por mim não telefonava, acreditem. Mas, infelizmente, tinha de fazê-lo. Começa a chamar mas as bocas continuam. Lanço um "Porra" e levanto-me para telefonar do meu. Não atende. Desço, já vestida e pronta para sair para me acalmar. Não estava para ouvir mais gritos. Mas não saio. Impede-me. Não o faças! Os gritos continuam. Eu vou perder a paciência. Deixem-me sair!  Por favor! As bocas continuam e eu não aguento. Começo a falar. Começo a dizer as mesmas verdades. Sei que a vão magoar, mas já estão a sair. Tudo verdades. Outras palavras são dirigidas a mim. E não só. Não me "piques"!  Não me tentes levar ao limite!  Eu tenho de sair!  Deixa-me sair!  Não saio. As palavras continuam. Continuo a responder. A raiva aumenta. Não aguento. Vou fazer merda. Eu vou bater-lhe. Não posso!  Arranho-me. Tenho que me acalmar. Não acalmo. As palavras continuam. As bocas continuam. A raiva aumenta. As unhas cravam mais. Deixa-me sair por favor! Tudo continua, eu não aguento. Os meus punhos vãos à parede. A raiva é descarregada. Não fales! Não te ponhas à minha frente! A Força continua intacta. NÃO ME AGARRES!! Empurro-a. Ela agarra-me. Eu tento manter a calma e não lhe bater. Ela empurra-me. Eu quero bater-lhe. Eu tenho força para isso. Tenho força para a encostar. Não o faço. Eu encosto-me à porta e ponho-me a sussurrar "calma", vezes sem fim. Começo a ser sarcáatica. Estou no limite. Mais bocas vêm. Não fales. Eu sei cuidar dos meus irmãos. Eu não os vou abandonar. Eu não os vou magoar. Eu sou responsável. Eu não sou uma criança. CALA-TE!!!  Continuo a sussurrar calma e não lhe respondo. O meu corpo ferve. Queima. Eu tenho de sair. Deixa-me sair!! Vou para a cozinha. Tento telefonar-lhe. Não atende. Começo a falar. Ela tenta fechar oa estores. Não me Deixa abrir a janela. Não a deixo fechar os estores. Arranha-me. Aperta-me com força, com as unhas. Quero fazer-lhe o mesmo. Não me provoqyes!  Vou magoar-te!  Pára!  Só obrigada a ir para o quarto. Vou acalmar-me. Não, ela vem atrás. Continua a provocar. A gritar. O meu corpo tem energia mais do que suficiente para a magoar. Não o posso fazer. Não vou fazer o mesmo que ele. Eu sou forte. "És fraca! Não és mulher.",diz. Não! Eu sou forte. O meu corpo quer agir por mim. Quer bater-lhe. Não posso fazê-lo. "Atende o telemóvel por favor", mando por mensagem. Ela continua. Tento novamente. Ele atende. Choro finalmente. Ele diz para ter calma. Ela grita. Ele risse. Não!! Não!! Ela grita!  Não! Parem! Desligo. Continuamos a discutir. Ela desce. Eu ataco-a psicologicamente. Vejo o que estou a fazer. O meu corpo fala mais alto e avança para a atacar. Eu vou bater-lhe. A minha cabeça volta. Eu beijo-a. Minutos depois finalmente saio. Estou na praia. O meu corpo não reage. Os nervos passam pelo meu corpo. Quero levantar-me e não consigo. Quero mexer-me e tenho dificuldade. A minha mente quer fugir. Não posso desmaiar. Não aguento. Apenas choro e tremo. Não aguento mais.....

terça-feira, 6 de maio de 2014

Descansa em paz, avó...


Nunca pensei em chorar. Aliás, pensei em chorar, devido aos gemidos de dor que me iriam circundar durante aquele espaço de tempo. Eu estava a encarar tudo bastante bem, até observar o teu rosto. Ele estava lindo. Sem pensar duas vezes eu tive que tocá-lo e, inconscientemente, já estava a fazer carinhos por ele. Foi aí que desabei ao sentir a tua pele gelada, ao dar-me conta que, efetivamente, tu não ias abrir os olhos. Nunca mais. Sei que no último ano fizeste imensa coisa que, indirectamente – e directamente –, me prejudicou. Sei que a nossa última conversa deu em discussão. Sei que por vezes chamaste por mim e choraste por mim durante o tempo de internamento e eu, estupida, só estive contigo uma vez; e tu não me conseguiste ver. Peço-te desculpa por isso. E sei que adoravas ter um neto que fosse enfermeiro. Sei o quanto começaste a gostar dessa profissão. E eu vou licenciar-me nesse curso. Vou ser enfermeira. Não apenas por ti, mas também por ti. Obrigada avó, pelas lições, pelos princípios, pelo amor e, mais importante para mim, por teres tido orgulho em mim. Eu amo-te.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

You complete me...


Um casal beija-se num acto completamente banal do quotidiano. Outro casal abraça-se por uma fração de dois segundos. Outro anda lado a lado, com os corpos distantes. E outro, separado por quilómetros de distância, desejando um pequeno contacto físico que seja. Desejando sentir os lábios embaterem um no outro. Desejando abraçar-se por tempo indeterminado. Desejando sentir os dedos entrelaçarem-se. Desejando sentir os corpos tocarem, pele com pele, enquanto o calor é transferido entre corpos. Desejando sentir algo físico, apenas.
Dói. Eu sei que dói. Dói não ter a pessoa que se ama mais próxima para puder visitar quando a exigência de contacto físico aperta. Dói estar em chamada e, num momento de desespero, enquanto a outra pessoa fala, sentimo-la mesmo ao nosso lado. Dói fechar os olhos e, inconscientemente, a nossa mente brincar connosco e fazer-nos aproximar do telemóvel, como se os nossos lábios fossem tocar. Não tocam. Era apenas uma ilusão. Uma maravilhosa e doentia ilusão que alimenta a saudade. E o desejo.
Apenas ilusões sucessivas que vão surgindo até ao momento em que um pequeno contacto físico vai acender os nossos corações. Novamente. E eu espero esse contacto físico. Espero tocar os teus dedos. Espero segurar a tua mão. Espero abraçar-te. Espero tocar os teus lábios. Espero sentir o teu corpo.