O comportamento defensivo é o mais comum. Uma arma de
defesa. E tudo bem se for usada; a vida é uma guerra, mesmo, a sociedade é uma ilustração
perfeita dos inimigos que se encontram do lado oposto do campo de batalha;
estão prontos a disparar a qualquer momento e a ferir-nos. Temos que ter a
nossa defesa. Tenho a minha. E tudo bem, não há mal nenhum. Mas existem duas
pessoas que pensei gostarem suficientemente de mim para não me magoarem, mas
tudo acabou. Mãe e pai. O meu comportamento defensivo até com eles é usado. Agarrei-me
a outras duas pessoas. Irmãos. As coisas pioraram e o comportamento voltou.
Restava eu. Eu podia confiar em mim. Ou talvez não pudesse, não passava de uma
ilusão. Sou a pessoa que mais me magoa. Todas as vozes dentro da minha cabeça
comandam o meu dia da pior forma e conduzem-me por caminhos que não quero
trilhar. Impõem-me pensamentos não correctos. Eu não sou dona de mim, elas são.
Comandam-me e parecem gostar de toda a brincadeira. Elas fazem-me perder a cada
minuto que passa. Fazem-me questionar quem sou a toda a hora e, pior, não me
dão uma resposta. Fazem com que perca parte da minha alma a cada segundo.
Sinto-o. Parte de mim só quer andar, apenas passar o tempo, de preferência,
totalmente desligada. Defensiva comigo própria, sempre alerta. Imaginam o quão
esgotante pode ser? Definitivamente, dormir é a melhor opção. E se dormisse
para sempre? É quando a dor é menor.
Talvez devesse ver tudo pelo lado positivo e começar
uma nova fase da minha vida; demoraria o seu tempo, haveria diversas noites de
choro mas era um plano. Mas não. Sou masoquista o suficiente para continuar com
a dor. Sou masoquista o suficiente para gostar da dor. Sou masoquista o
suficiente para deixar que a dor acompanhe cada segundo do meu dia. Sou
masoquista o suficiente para apreciá-la, ver os efeitos que tem no meu corpo e
sentir a sua falta a cada minuto que me encontre sem ela. E este é o meu
trilho, o meu destino, uma dor constante que parece matar cada pedaço do meu
ser aos poucos, lenta e torturosamente. E eu pareço gostar e apreciar. Pelo
menos parte de mim. A outra parte quer felicidade, implora que as vozes se
calem. Tenta sonhar com algo que a desperte do pesadelo em que se encontra.
Quer acreditar que o amor calará as vozes internas. Quer bater nas paredes com
toda a intensidade da dor, até que ela acabe. Até que as vozes se calem. Até
que tome o comando do corpo. Mente. Alma. Quer ter uma conexão diferente com a
arte; talvez através de sorrisos e não lágrimas. Ou, no mínimo, que sejam
lágrimas de felicidade. Quer ser feliz. Quer viver. Quer sentir apenas a dor
tolerável que qualquer ser humano aguenta. Sozinha. Sem companhias dentro da
cabeça. Talvez queira se salvar antes que tudo acabe.
Estou aqui!
ResponderEliminarR: Obrigada :)