segunda-feira, 2 de junho de 2014

Texto

Acordei. Cansada. Os gritos começaram. "Não vamos discutir outra vez o mesmo...", saiu da minha boca. Mas vamos. Novamente. Sento-me. Tudo pára. "Ainda bem", penso. Agarro no telemóvel para telefonar. Comento o facto de agora já estar calma por eu ir telefonar. As bocas começam. Seguro no telemóvel. "Não vais gastar o meu dinheiro", disse, "Eu tenho de telefonar", não tenho a adictivo. Por mim não telefonava, acreditem. Mas, infelizmente, tinha de fazê-lo. Começa a chamar mas as bocas continuam. Lanço um "Porra" e levanto-me para telefonar do meu. Não atende. Desço, já vestida e pronta para sair para me acalmar. Não estava para ouvir mais gritos. Mas não saio. Impede-me. Não o faças! Os gritos continuam. Eu vou perder a paciência. Deixem-me sair!  Por favor! As bocas continuam e eu não aguento. Começo a falar. Começo a dizer as mesmas verdades. Sei que a vão magoar, mas já estão a sair. Tudo verdades. Outras palavras são dirigidas a mim. E não só. Não me "piques"!  Não me tentes levar ao limite!  Eu tenho de sair!  Deixa-me sair!  Não saio. As palavras continuam. Continuo a responder. A raiva aumenta. Não aguento. Vou fazer merda. Eu vou bater-lhe. Não posso!  Arranho-me. Tenho que me acalmar. Não acalmo. As palavras continuam. As bocas continuam. A raiva aumenta. As unhas cravam mais. Deixa-me sair por favor! Tudo continua, eu não aguento. Os meus punhos vãos à parede. A raiva é descarregada. Não fales! Não te ponhas à minha frente! A Força continua intacta. NÃO ME AGARRES!! Empurro-a. Ela agarra-me. Eu tento manter a calma e não lhe bater. Ela empurra-me. Eu quero bater-lhe. Eu tenho força para isso. Tenho força para a encostar. Não o faço. Eu encosto-me à porta e ponho-me a sussurrar "calma", vezes sem fim. Começo a ser sarcáatica. Estou no limite. Mais bocas vêm. Não fales. Eu sei cuidar dos meus irmãos. Eu não os vou abandonar. Eu não os vou magoar. Eu sou responsável. Eu não sou uma criança. CALA-TE!!!  Continuo a sussurrar calma e não lhe respondo. O meu corpo ferve. Queima. Eu tenho de sair. Deixa-me sair!! Vou para a cozinha. Tento telefonar-lhe. Não atende. Começo a falar. Ela tenta fechar oa estores. Não me Deixa abrir a janela. Não a deixo fechar os estores. Arranha-me. Aperta-me com força, com as unhas. Quero fazer-lhe o mesmo. Não me provoqyes!  Vou magoar-te!  Pára!  Só obrigada a ir para o quarto. Vou acalmar-me. Não, ela vem atrás. Continua a provocar. A gritar. O meu corpo tem energia mais do que suficiente para a magoar. Não o posso fazer. Não vou fazer o mesmo que ele. Eu sou forte. "És fraca! Não és mulher.",diz. Não! Eu sou forte. O meu corpo quer agir por mim. Quer bater-lhe. Não posso fazê-lo. "Atende o telemóvel por favor", mando por mensagem. Ela continua. Tento novamente. Ele atende. Choro finalmente. Ele diz para ter calma. Ela grita. Ele risse. Não!! Não!! Ela grita!  Não! Parem! Desligo. Continuamos a discutir. Ela desce. Eu ataco-a psicologicamente. Vejo o que estou a fazer. O meu corpo fala mais alto e avança para a atacar. Eu vou bater-lhe. A minha cabeça volta. Eu beijo-a. Minutos depois finalmente saio. Estou na praia. O meu corpo não reage. Os nervos passam pelo meu corpo. Quero levantar-me e não consigo. Quero mexer-me e tenho dificuldade. A minha mente quer fugir. Não posso desmaiar. Não aguento. Apenas choro e tremo. Não aguento mais.....

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