Estou sempre a falar de abraços, mais cedo ou mais tarde tinha de escrever um texto sobre isso. Então eu sempre amei receber e dar abraços, mas nunca lhes dei muita atenção, até precisar de um. Eu estava a afundar, cada vez mais, e não encontrei dois braços que me trouxessem para cima. Mas usei os meus para trazer alguém para cima e recebi uma recompensa praticamente.
Vou contar-vos como tudo aconteceu. Eu estava realmente a afundar, como já disse, e não tive ninguém que me abraçasse . Então, um dia, estava com uns colegas de turma e passou uma amiga de uma amiga minha. Nós tínhamos falado poucas vezes e, na maioria delas, quando a nossa amiga em comum estava por perto. Então o que aconteceu? Ela passou e toda a gente começou a cochichar e a dizer que ela estava em baixo. Eu fiquei a ouvir para tentar perceber o que se passava, não tinha força para ajudar ninguém, mas pronto, podia falar com a nossa amiga e ela falava com a que estava a passar. Mas então eles começaram a falar mesmo mal dela, ao mesmo tempo que eu percebia que ela estava realmente mal, e a dizerem que ela estava sozinha.
Esqueçam, nesse momento eu passei-me. Eu estava em baixo, mas, nesse momento, eu passei-me totalmente e quis mostrar-lhes que primeiro, não se fala mal de ninguém nas costas, segundo, ela não estava sozinha e não era nenhuma coitadinha. Então levantei-me e saí a correr atrás dela e, quando lá cheguei, perguntei se ela estava bem. Olhei para os olhos dela e não precisem de resposta, apenas a abracei com toda a força que tinha e ela chorou. Naquele momento eu percebi o estado de vulnerabilidade dela e realmente não a consegui soltar. Ainda ficámos alí um bom bocado e eu sabia que eu era o tema de conversa daquela gente naquele momento. Provavelmente estavam a falar mal de mim daquela vez, mas eu não queria saber. Eu tinha de ajudá-la!
Fiquei um pouco com ela e ela, entretanto, foi embora e eu voltei para junto deles. Eles olhavam-me de cima abaixo e não diziam nada. Tipo, nada! Eu só pensei "Boa, isto é óptimo para me puxar para cima --'". Entretanto, passado sei lá quanto tempo - porque eu estava realmente incomodada - uma pessoa puxou assunto e voltou tudo à conversa.
Mas eu sei o efeito que tive nela, e prova disso é que ela continua a falar bastante comigo depois de tanto tempo e a dizer que me ama e tudo. Eu sei que fiz a diferença naquele momento. Eu sei que, mesmo não lhe dando forças, fiz com que, por segundos, ela desabasse e tivesse em quem confiar. Era o que eu queria.
Mas ya, eu continuava mal! Então foi aí que apareceu a minha pequena. Algum tempo depois, ela foi até Coimbra, e abraçou-me. Naquele instante eu soube como a minha outra amiga se sentiu porque, embora eu não tenha chorado, eu sei o quão vulnerável eu estava. Embora eu tenha ido ter com a minha pequena porque queria ajudá-la, naquele abraço eu estava totalmente vulnerável e ela estava a segurar-me por completo; a vontade de me afastar dela era nula! E acho que esse abraço eu vou agradecer-lhe a vida inteira.
Foi devido a estes dois momentos que eu percebi a importância de um abraço. Portanto, abracem. Às vezes um abraço pode fazer toda a diferença na vida de alguém. E atenção, não abracem apenas quem, pela vossa observação, obviamente, precisa. Abracem, também, quem está totalmente alegre. Lembrem-se que há pessoas que escondem os seus problemas melhor que outras e, por vezes, essa pessoa "alegre" é quem mais precisa do abraço.
Olhem, eu cá, quando tiver a minha caloirinha, para o ano, vou fazer-lhe uma praxe de abraços; ela não escapa u.u! E vou entrar na minha própria praxe, óbvio!
E é isto. Muitos abraços gigantes para vocês e não se esqueçam, abracem e sejam felizes! :D

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