Os meus olhos encaravam lentamente a cena
que me foi presentiada. A criança corria, contente, saltando as pedras que se
lhe colocavam no caminho. Poderia ser eu, há alguns anos atrás.
Continuei a observar.
Uma queda foi assistida por mim. Pensei
correr em auxílio da criança, mas uma senhora foi mais rápida que eu; talvez a
sua mãe. Eu fiquei parada apenas a observar o que aconteceria.
A criança chorava violentamente, enquanto
escorria sangue pelo seu joelho; apenas uma ferida, mas algo maior para o
pequeno menino. A mãe sorriu, levantando o menino e ajudando-o a caminhar.
O mesmo cambaleava, mas confiava na mãe para
aquela tarefa.
Segui-os, queria saber onde iriam. Entraram
num café.
Esperei.
Em poucos minutos a criança saiu do café,
sorridente, e com um gelado na mão, como se o seu problema tivesse,
simplesmente, acabado; como se nada de mal lhe fosse acontecer a partir daquele
momento.
Parei para pensar na forma como eu tinha
inveja de uma criança de pouco mais de três anos, que não tinha autonomia quase
nenhuma, que não podia sair sozinho, que tinha que seguir todas as regras
impostas, sem ter espírito crítico para decidir se seria o acertado a fazer;
não tinha nada do que eu tinha. No entanto, mesmo assim, conseguia ser mais
feliz que eu.
Olhei em minha volta, onde todos continuavam
a andar, enquanto eu permanecia parada a relembrar a cena que acabara de
acontecer. Apenas um pensamento invadiu
a minha mente.
Alguém
me compra um gelado?
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