She’ll be alright, just not
tonight.
A mesma frase
que se adequa a mim há três dias e três noites; a mesma frase que eu insisto
ler todos os dias, mas que não me leva a lado nenhum. Just not tonight,
é o que se repete na minha cabeça há três noites! Quando será a noite?
Hoje ainda foi
pior que ontem. Foi ainda pior do que anteontem. E, pelo que vejo, só tende a
piorar.
Aquilo a que
uma certa pessoa insiste em chamar família, não é uma família; pelo menos não
agora. Os irmãos continuam unidos, e espero que assim continue, mas não os
pais. Parece que cada um puxa para o seu lado, parece que o lado feminino
insiste que não quer ceder; insiste que é melhor fazer sofrer os filhos e ainda
lhes ir contar os pormenores. E depois, para melhorar tudo, insiste que a culpa
é de todos, mas nunca dela.
Ambos cometeram
erros, ambos se deixaram levar por impulsos e não tomaram as decisões mais
acertadas. Ambos continuam a puxar a batata quente para o seu lado e as
três pessoas que se encontram no meio continuam a sofrer.
Este problema
não é algo que um de nós possa resolver, é algo que tem que ser resolvido por
eles. E eu não quero saber se um fez isto e o outro fez aquilo e… Não me
interessa! Querem contar-me tudo? Contem! Mas submetem-se automaticamente à
minha opinião que nem sempre é a mais simpática. Neste caso, e antes de
afastarem os três filhos, divorciem-se. A equipa já acabou e há muito tempo.
E este foi o
tema de hoje, tudo se repetiu. Mas porquê enquanto estávamos em casa? Foi de
propósito para pudermos ouvir e sofrer? You made it so congrats. Mas vão levar
também com as consequências e as minhas acabaram de chegar. Hoje foi o limite!
Nunca me senti tão nervosa, nunca me senti a perder a noção de tudo o que me
rodeava, nunca me senti com tanta falta de oxigénio, nunca senti uma corrente
de energia tão grande percorrer o meu corpo, nunca senti que tinha força
suficiente para partir tudo o que me rodeasse e nunca senti tanta vontade de
bater num deles. Foi a gota de água!
Depois dos
nervos eu tive que me acalmar e tentar acalmar a minha irmã; o meu irmão era o
único calmo. Tudo terminou algum tempo depois e eu apenas saí de casa,
novamente. Desta vez para um sítio tão sossegado como o anterior, mas
totalmente diferente.
Quando lá
cheguei, chorei, senti o meu coração totalmente partido e comecei a bloquear
tudo, permitindo apenas que a raiva se apoderasse do meu corpo. Assim que a
raiva me dominou eu deixei de chorar totalmente e apenas fiquei a pensar em
todos os presentes em casa; a raiva só desaparecia quando os meus irmãos
surgiam nos meus pensamentos.
Até aqui estava
tudo muito bonito, até porque tinha decidido exactamente o que fazer, mas
faltava-me mais qualquer coisa: a minha depressão. A verdade é que me tenho
sentido mais em baixo a cada dia que passa, todas as noites tenho chorado e,
durante o dia, preocupo-me em resolver a da minha mãe. E quando é que ela se
preocupou com a minha? Não vale a pena entrar nessa conversa senão a raiva
apenas aumenta. Portanto, eu tinha que decidir. Ou tratava de mim ou da minha
mãe.
“Eu ando a
fazer de tudo o que posso para tratar da minha depressão”, pensei, “e a mãe anda a fazer de tudo para mostrar a
todos a sua. Não pensa, minimamente, em tratar-se”. E foi aí que eu percebi que
o conselho que tinha dado há dias era direccionado a mim. Eu tenho o meu
limite, dou o que posso e faço o que posso pelas pessoas, a partir do meu
limite não posso dar mais. É a minha saúde que está em jogo e, a verdade, é que
eu me sinto cada vez mais em baixo desde que as férias começaram.
Portanto eu não
quero ouvir mais “o teu pai isto” ou “o teu pai aquilo” ou “a tua mãe isto” ou
“a tua mãe aquilo”. Nenhuma deles é santo, cada um deles fez as suas porcarias
que nunca serão perdoadas pelo outro, mas isso não é problema meu nem dos meus
irmãos. Cada um de nós tem os seus problemas. As saudades do pai ou problemas que
envolvam mais a família são para ser partilhados, problemas conjugais, é
problema deles e realmente estou a lixar-me para essa história, apenas quero
saber o resultado final. Neste momento quero tratar da minha depressão que é a
que está a magoar o meu corpo no meio de tudo isto.
Quanto ao resto
cada um que resolva os seus problemas; eu vou resolver o meu! Egoísta?
Talvez... Mas estou cansada de lutar por pessoas que não sabem lutar por elas
próprias e por relações pelas quais ninguém luta. Pela primeira vez na vida
tenho que lutar por mim!

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